PROFESSOR RODRIGO BENTO

Bem vindos ao blog Saber!

Educação: o caminho certo para o desenvolvimento de todos. Aqui compartilharemos nossas experiências, sonhos, nossas vitórias e alegrias que sempre nos incentivam a prosseguir nessa jornada em busca do SABER, a chamada Educação...


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Alunos da Escola Comendador Rocha constroem Maquetes da Pré-História



A História, assim como todas as ciências, possui suas particularidades e seu campo de estudo dividido em várias partes, ocupando-se de fatos referente ao homem ao longo do tempo. Uma dessas divisões da história é a Pré-história, que trabalha as atividades humanas antes do surgimento da escrita. Os alunos das turmas 5ª01, 02 e 03 da Escola Comendador Rocha orientados pelo professor de História Rodrigo Bento e com a ajuda dos pais, construíram inúmeras Maquetes sobre o tema proposto: A Pré-História.

Aluno Sidnei Candido – 5ª02


Vale destacar que os alunos aprenderam também sobre a nossa Pré-história, valorizando a cultura dos Sambaquis. O objetivo agora é realizar uma exposição na escola com todas as Maquetes que totalizaram o número de 20 obras. Valeu alunos!!!




As alunas Danielly e Geizelaine (esquerda) e o aluno Anderson Silva

Estudantes da Escola Comendador Rocha realizam aula diferenciada


Com o objetivo de conhecer os temas aprendidos em sala de aula, os alunos da escola Comendador Rocha da 5ª03, em conjunto com o professor Rodrigo Bento realizaram na última segunda-feira (12.04) uma saída de campo aos principais pontos turísticos e naturais da cidade. Na oportunidade, foi realizada uma caminhada no Molhes da Barra tendo como finalidade à conscientização e preservação do meio em que vivem.


No Molhes da Barra


Alunos assistindo a palestra.
Nossos agradecimentos aos funcionários da Casa de Anita



No Mirante do Morro da Glória

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Aulas Gratuitas de História e Atualidades


Aulas Gratuitas de História e Atualidades Preparatórias para o ENEM e Vestibulares


As aulas estão sendo ministradas pelo professor Rodrigo Bento no CEAL, nas segundas e sextas-feiras, no turno Noturno.
Serão 13 encontros.

Participe:

DÚVIDAS

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Equipe saberlaguna.com

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Torneio de Futebol Entre Séries 2010 - Renato Ramos



Os alunos da Escola de Educação Básica Dr. Renato Ramos da Silva realizam no próximo dia 08 de outubro, o Torneio de Futebol Entre Séries. Podem participar alunos do colégio, formando equipes com no mínimo 6 e no máximo 10 integrantes. Abaixo os links para download da Divulgação do torneio e da "Ficha de Inscrição". As inscrições vão até o dia 04 de outubro no valor de R$ 2,00 por integrante, sendo o valor arrecadado revertido para o projeto "Padrinhos do Bem".

Atenção: Por motivo do conselho de classe do Ensino Médio no dia 04/10/2010 as inscrições foram prorrogadas até o dia 05/10, terça-feira. As equipes devem entregar a ficha de inscrição e os valores ao aluno Pedro da turma 101 do Ensino Médio no turno vespertino.


Links:

Radio Garibaldi de Laguna, Cinco décadas de audiência – A Origem do Sonho



por Rodrigo Bento



“Atenção Laguna, atenção Laguna, no ar a Radio Garibaldi, a mais popular emissora da cidade”. Eram 22:50hs do dia 19 de agosto de 1959, uma quarta-feira, quando João Manuel Vicente anunciou a cidade o surgimento daquela que durante cinqüenta anos faz parte do seu cotidiano. Alegrias e emoções. A importância da Radio Garibaldi para Laguna foi muito intensa, além de fazer parte da historia de grandes locutores e sonoplastas do sul de Santa Catarina, uma gama de personalidades ligadas a comunicação nasceram ou criaram um vínculo nesta emissora.
A idéia inicial de se criar uma nova emissora em Laguna, partiu de uma conversa entre o então deputado Estadual Dr. Valmor de Oliveira e o jovem João Manuel Vicente, que na época era casado com a sobrinha do deputado.
O deputado Valmor de Oliveira estava apreensivo em relação a sua candidatura ao segundo mandato na Assembléia Legislativa, segundo ele, seria muito difícil se reeleger, ele precisaria de um fato novo, que destacasse o seu nome. João Manuel Vicente então sugeriu que ele fundasse uma nova emissora.
Você está maluco, a cidade não tem comércio para uma emissora, imagina duas. Exclamou o Deputado.

João Manuel Vicente sabia da importância de se ter uma rádio para um político. Não existia a grande quantidade de meios de comunicação. A televisão ainda estava engatinhando no Brasil e para chegar em Laguna, iria demorar mais alguns anos. Os jornais eram poucos os que chegavam aqui, nem todos tinham acesso.
Acrescentando a esses fatores, a Radio Difusora, até então a única emissora da cidade, estava diretamente vinculada ao PSD e o deputado Valmor de Oliveira era do PTB. Quando o pleito eleitoral fervilhava na cidade, a Radio Difusora possuía seu candidato direto, o saudoso Armando Calil Bullos, um dos raros lagunenses que ocupou quase todos os cargos políticos do nosso estado quando o assunto é Legislativo. A emissora voltava toda a sua programação para o deputado Armando Calil Bullos. Mesmo porque na década de 50 e 60, a legislação eleitoral no Brasil não tinha criado ainda mecanismos para orientar e coibir a campanha no radio. Era comum então, uma emissora de radio fazer campanha exclusiva para o seu candidato. A radio abria de manhã cedo e se quisesse falar da campanha durante todo o dia, falava. Defendendo apenas o seu candidato e criticando os outros.
Em Laguna não existia outra formadora de opinião, apenas a Radio Difusora. Com essa justificativa, João Manuel Vicente conseguiu incentivar Valmor de Oliveira a criar uma nova emissora na cidade.
O deputado levou para a frente a idéia, porém, queria a garantia de que se fundasse a emissora, João Vicente deveria assumir a responsabilidade por sua manutenção. João aceitou e aos 28 anos de idade, assume o compromisso de ser o responsável direto pela aquela seria conhecida mais tarde, como uma das principais emissoras da região sul do estado.

Os primeiros equipamentos e a instalação da emissora



Coube ao deputado Valmor de Oliveira, levantar fundos para a instalação da nova emissora. Para tanto a Assembléia Legislativa contratou João Vicente para apresentar o programa o Legislativo em Ação em uma das emissoras do sul do estado. O programa visava divulgar os trabalhos realizados na Assembléia para os catarinenses. O contrato não firmava qual deveria ser a emissora, com isso, torna-se mais fácil e legal perante a lei, a utilização dessa verba para a criação de uma nova radio. A nova emissora depois que foi ao ar, cumpriu com suas obrigações contratuais.
Valmor de Oliveira comprou os equipamentos iniciais da futura rádio, um transmissor e uma mesa de som da Radio Mirador, do município de Caçador. Os equipamentos eram usados e foi preciso um reparo técnico. Com equipamentos nas mãos, faltava agora, o material humano.

Carlos Horn, é o homem no qual Walmor de Oliveira contrata para montar a parte técnica da emissora em conjunto com Antonio dos Santos. Carlos Horn, era técnico que trabalhava com transmissores no sul do estado. Tinha funções permanentes em algumas emissoras da nossa região, como a Radio Tuba, de Tubarão e a própria Radio Difusora de Laguna, no qual possuía um grande vínculo. Já Antonio dos Santos auxiliava Carlos Horn na parte técnica. O mesmo possuía um serviço de alto-falantes na antiga rodoviária municipal, localizada na rua Gustavo Richard. Além de possuir uma vasta agenda de festas na qual realizava no interior da cidade.
O primeiro local onde o transmissor, a torre da Radio Garibaldi fixou-se, foi no Bairro Campo de Fora, nas proximidades da estação da rede ferroviária, onde hoje se encontra a secretaria de obras do município. O local escolhido foi bem próximo ao desvio da linha ferroviária, o terreno era de propriedade de Julio Oliveira, vindo ser irmão do deputado Valmor de Oliveira, proprietário da nova emissora. Faltava apenas definir onde seria o estúdio que deveria ser estrategicamente na área central da cidade e possuir um espaço amplo para os anseios da nova empresa. O local escolhido foi o piso superior da antiga farmácia Sebolt, na rua Raulino Horn.



A história do nome e os seus primeiros personagens.



Na década de 50, a historia da personagem Anita Garibaldi já fazia parte do cotidiano da vida do lagunense. A valorização da guerreira já estava em todos os cantos.
Segundo João Vicente, no dia em que a emissora iria ao ar, Carlos Horn perguntou ao Dr. Valmor de Oliveira, qual deveria ser o nome da rádio. Antonio dos Santos sugeriu:
Anita Garibaldi.
Imediatamente, Valmor de Oliveira com seu jeito sincero respondeu;
Não! Chega de Anita, a cidade já tem muita homenagem a Anita, coloca só Garibaldi, só Garibaldi é melhor.

Assim a surgiu a denominação da Radio Garibaldi Ltda., por sugestão própria do fundador Dr. Valmor de Oliveira.

Montada a Radio, dava-se início na parte principal da emissora: o material humano. O objetivo do diretor geral da Radio Garibaldi em seu inicio era popularizar, fazer com que o radio também fosse do povão. Essa justificativa é devido ao fato de as emissoras na época terem um estilo clássico, um pouco elitizado. A Radio Garibaldi veio para tocar samba, veio para escutar a opinião do público, do povão, declara João Vicente.
A primeira equipe da Radio Garibaldi foi composta por João Vicente, Evilázio Silveira, João Carlos Silveira, Atanázio Silveira e a partir daí, uma grande seleção de personalidades da comunicação da nossa região.


A emissora teve a honra de contar com inúmeros personagens. Foram tantas as pessoas em diferentes funções, que seria impossível destaca-los nesta pagina, o que também poderíamos cometer erros, se esquecêssemos de alguém. Mas torna-se difícil falar da Radio Garibaldi sem destacar: Luiz Carlos Ambrosini, Luiz Paulo Carneiro, Álvaro de Oliveira, Rafael Tasso, João Carlos Pagani de Oliveira, Jorge Miranda, Walmor Silva, Celso Brum, Paulo Sérgio Silva, Paulo Roberto Cereja, e tantos outros.

Hoje a frente da emissora há mais de 3 décadas, o engenheiro Jacopo Teixeira Tasso. Para muitos, depois de João Vicente, o conhecido Dr. Tasso, é considerado um dos maiores incentivadores da comunicação em nossa cidade. Afinal, ele é o responsável direto pela evolução que a emissora teve que, em conjunto com a gerente Roselane, mudaram o conceito de radio AM no sul do estado, tornando-a uma emissora também disponível no mundo digital.

A programação:

A idéia original da emissora ainda permanece nos dias de hoje, com uma programação total mente popular, ela possui uma singularidade pouco vista em outras rádios: a diferença. Vários são os estilos de programa: Jornalismo identificado com a realidade da nossa região, esporte, cultura, educação e muitas musicas em diferentes estilos. Passados 50 anos, Os locutores ainda mantém a Radio Garibaldi como uma das fortes emissoras do sul de Santa Catarina.
Durante nossa caminhada, durante nossa vida, aprendemos que é impossível viver sozinho, seja na construção da sua família, ou ate mesmo no local do seu trabalho, quantas amizades fortes e verdadeiras você faz, você consegue e conquista. Na radio Garibaldi não é diferente, se a emissora, mesmo que fosse em um pequeno instante possuísse vida, quantos amigos ela iria abraçar, quantos vezes ela iria dizer muito obrigado ou então entra a casa é sua. Não eu estou errado, a radio Garibaldi possui vida, sim, só ela consegue emociona-lo através de uma musica ou informação. Ela consegue fazer você sorrir, chorar, as vezes faz com que você expresse suas opiniões e discuta o que é certo ou errado. Obrigado e Parabéns Radio Garibaldi, a verdadeira radio da cidade.



SAMBAQUIS E PESQUISAS ARQUEÓLOGICAS EM LAGUNA



Todos nós, superficial e erroneamente, ás vezes aprendemos que a história da sociedade brasileira tem seu início com a vinda dos portugueses no séculos XVI, representado pelo conquistador lusitano Pedro Álvares Cabral. A colonização da terra brasilis é um acontecimento, um fato importantíssimo para a construção de nossa sociedade com as culturas e costumes diferentes que formaram e formam o povo brasileiro. O problema é que durante muito tempo, com uma mentalidade eurocêntrica, sem maior interesse, o homem menospreza as sociedades que habitavam o território brasileiro a pelo menos 12.000 anos, com isso, não realizava pesquisas científicas sobre as sociedades aqui existentes antes da chegada dos portugueses. O resultado desse processo é refletido diretamente na escola, onde o nosso aluno não adquire informações, e conhecimento necessário sobre a nossa Pré-História.


Foi apenas no início do século XX, que as pesquisas sobre a nossa Pré-História começaram a crescer com um avanço significativo e hoje, a Arqueologia Brasileira estuda esses povos que durante muito tempo habitavam o vasto território brasileiro com seu modo de vida e cultura diferentes dos colonizadores europeus.


Entre as culturas Pré-Históricas estudadas estão os pescadores-coletores-caçadores (PCC), povos que ocupavam parte do litoral brasileiro por volta de 6.000 A.P., do Rio de Janeiro até Torres, no norte gaúcho. Esses povos são conhecidos como Sambaquianos, construtores dos grandes sambaquis. A palavra vem do Tupi, Tamba significa conchas e Ki amontoado. Sua principal característica é ser uma elevação geralmente arredondada, com múltiplas funcionalidades, dentre elas a possível residência e também o espaço em que sepultavam seus mortos. São formados por conchas de moluscos, esqueletos de crustáceos, ossos de peixe e mamíferos marinhos e terrestres, além de instrumentos de pedra lascada e polida.


Um dos maiores sambaquis que Laguna possuía, próximo à comunidade de Campos Verdes, década de 70, foi totalmente destruído.



Desde o século XIX, pesquisadores vêm trabalhando para decifrar a origem dos sambaquis. Duas correntes foram as primeiras a surgir: a naturalista e a artificialista. A primeira corrente, denominada de naturalista, defende que os sambaquis foram construídos pela ação dos movimentos de regressão e transgressão do mar e, junto com a ação dos ventos, foram formados. A teoria afirma ainda que os vestígios de sepultamento humano sejam resultados de naufrágios e que possivelmente, o sambaqui também é uma prova do dilúvio bíblico. Os pesquisadores artificialistas defendiam a tese de que os sambaquis eram apenas negligência dos índios em relação ao acúmulo de restos alimentares. Com o avanço das pesquisas, o resultado gerou uma comprovação de uma ocupação humana nesses locais.


Alguns sambaquis chegavam a 30 metros de altura e de acordo com estudos, há indícios de que quanto maior a altura, maior o poder na região; Possivelmente a altura do sambaqui-mor era motivo de orgulho para seus moradores e afirmava na paisagem natural o direito de posse territorial desde os tempos ancestrais (Prous, 2006).


O processo de colonização efetuado pelos sambaquianos ainda é um questionamento forte entre os pesquisadores, porém, várias hipóteses foram levantadas sobre a origem desse povo:

“...ou os mais antigos sítios conhecidos foram construídos por uma população que já tinha o hábito de explorar ambientes costeiros; ou essa população veio de um ambiente semelhante ao encontrado na costa do Brasil. Ou desenvolveu o seu modo de vida no litoral há muito tempo” ( Gaspar, 2000:32).

Em relação à estrutura social dos sambaquianos, supõe-se que ocorria a divisão de tarefas de acordo com o sexo, cujas funções eram diferenciadas. Existia também uma camada de figuras principais com grande prestígio para organizar as atividades coletivas, sobretudo se houvesse a necessidade de se construir ou ampliar um sambaqui. As atividades mais importantes estavam ligadas a coleta de moluscos e a pesca, que foi sua principal dieta alimentar. A habilidade dos sambaquieiros ficou registrada nos zoólitos, esculturas de pedra que representam mais de duas centenas de animais e de figuras geométricas. Em alguns casos, os artesãos caprichavam tanto nas imagens de peixes que é possível até reconhecer a espécie representada. Espinhos de peixe, esporões de raia, ossos de macaco e de porcos-do-mato eram afiados para virarem arpões e lanças de pesca. A presença de ossos de predadores ferozes, como tubarões, mostra que os sambaquieiros eram exímios e corajosos pescadores. (Gaspar, 2000:49).

“...os estudos mais recentes indicam que o peixe fornecia sua subsistência básica, em volume e qualidade. São peixes de todo o tipo, tamanho e periculosidade, pescados nos costões, no mar aberto e nas lagoas costeiras, com uso de canoas com as quais podiam alcançar ilhas distantes. Além de mamíferos como o lobo marinho e a baleia, aves marinhas, especialmente o pingüim, os crustáceos dos mangues podiam ser um complemento bem vindo” ( Schmitz, 2005:46)

A maior prova científica de que um sambaqui foi realmente uma estrutura social e não apenas um monte de conchas transformando-se em um depósito de lixo, está nos esqueletos humanos encontrados em sua formação. Dentro de um sambaqui, áreas especiais eram destinadas ao ritual funerário com cerimônias individuais ou em grupos. Após o enterro em pequenas covas, no qual os corpos eram colocados em posição fetal, ocorria um banquete. Tal afirmação é pelo fato de que próximo ao esqueleto, há muitos vestígios de comida. Alguns corpos eram cobertos por pedras e, devido aos inúmeros buracos de estacas, conclui-se que existiam madeiras para indicar o local do sepultamento que, às vezes era acompanhado de vários objetos pessoais de quem estava sendo enterrado. Em determinados sepultamentos, encontramos uma grande quantidade de esculturas de pedra ou de osso conhecidos como zoólitos, e em outros sepultamentos isso não ocorre. O que nos mostra uma desigualdade social ou um prestigio social muito elevado em comparação aos demais:


“Os sepultamentos, embora sigam um determinado padrão, não são idênticos nem mesmo em um único sitio. É difícil estabelecer se o programa mortuário sofreu mudanças através do tempo, mas é certo que houve tratamento especial para certos indivíduos e que estas especificidades não se restringiam às diferenças de idade e sexo. É possível considerar que o programa mortuário remete à organização social dos sambaquieiros se refere à existência de desigualdade social. ” ( Gaspar, 2000:70).

Outro aspecto importante nos sepultamentos, estaria ligado a posição dos corpos, haja vista que a posição fetal está tão perfeita em alguns casos. Para o arqueólogo Paulo De Blasis (2000), do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, os corpos possivelmente eram descarnados, pois a posição do fêmur esta muito próxima do tórax.





Um dos esqueletos encontrados no Morro do Peralta.

Fonte: Grupep-Arqueologia – 2007.


As pesquisas de Arqueologia Moderna começaram da década de 50. Sobre os sambaquis da região de Laguna, entre inúmeros pesquisadores, dois nomes destacam-se na fase inicial dos estudos: João Alfredo Rohr nas décadas de 60 à 80 e Anamaria Beck a partir de 1971.


Rohr é considerado o divisor de águas na luta pela preservação dos sambaquis, denunciava ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), qualquer empresa ou pessoa que destruísse um Sitio Arqueológico. Mapeou e classificou inúmeros Sambaquis do Complexo Lagunar. Já Beck, encontrou em Laguna uma grande quantidade de sepultamentos, além “evidências culturais muito significativas: artefatos líticos – polidos, picoteados, lascados e com técnica mista... (FARIAS, 2000:49)”.


Hoje estão catalogados no IPHAN (www.iphan.com.br) 44 sítios arqueológicos em Laguna, destes, 43 são do tipo sambaqui. Porém, ao analisarmos melhor o banco de dados do IPHAN e comparando-os com as pesquisas realizadas recentemente na região, observamos a existência de apenas 23 sítios arqueológicos pré-históricos em Laguna. Algumas comunidades como Barreiros, Cabeçuda, Farol de Santa Marta, Campo de Fora, Caputera, Campos Verdes, Estreito, Galheta, Magalhães, Progresso, Passagem da Barra, Perrichil, Ribeirão Pequeno, possuem mais de um sambaqui.

Dentro das informações do IPHAN, podemos observar que alguns sambaquis possuem dois registros, mudando apenas o nome do pesquisador.


A partir do ano de 2000, as pesquisas dos sítios arqueológicos encontrados associados aos sambaquianos, ganhou um novo reforço. A afirmação é devido ao surgimento do GRUPEP-ARQUEOLOGIA (Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia), uma iniciativa de professores e estudantes da UNISUL – Universidade do Sul de Santa Catarina - relacionados ao estudo do patrimônio arqueológico do sul de Santa Catarina. O grupo desenvolve trabalhos de identificação e salvamento arqueológico e paralelamente, procura sensibilizar as comunidades da região para a importância da preservação dos sítios arqueológicos.

As pesquisas arqueológicas em toda a região do complexo lagunar, evoluíram muito nos últimos anos, um exemplo disso foi a realização nos anos de 2003 e 2004, através de um grupo de pesquisadores articulados em torno do assim chamado Projeto Arqueológico do Camacho, estruturado em torno da lagoa do mesmo nome, no litoral sul de Santa Catarina, nos municípios de Jaguaruna, Tubarão e Laguna. Este projeto teve o envolvimento de vários pesquisadores do país, dentre os quais destacamos: Paulo De Blasis (Universidade de São Paulo – USP), Maria Dulce Gaspar (Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro), Deisi S. Farias (Universidae do Sul de santa Catarina – Unisul / GRUPEP-ARQUEOLOGIA), entre outros. O projeto realizou o estudo dos sambaquis daquela área, enfocando sobretudo, padrões demográficos e de organização social da sociedade sambaquieira, com uma ênfase especial nos processos formativos presentes na construção dos sambaquis, seu objetivo era:


[...] de um lado, uma abordagem sistêmica de um conjunto de sambaquis em seu contexto ambiental e paisagístico, seu território, perspectiva esta ainda ausente nos estudos com sítios litorâneos do Brasil. A principal hipótese do trabalho que fundamenta esta perspectiva e de que os sambaquis desta região, particularmente os maiores, representam um processo de sedentarização, adensamento demográfico e complexificação na organização social de uma população de pescadores-coletores-caçadores que parece tomar forma a partir de 3.000 anos atrás, aproximadamente. De um lado[...] explora o conceito de sambaqui como estrutura intencionalmente construída (DE BLASIS et al, apud FARIAS,2000:64)

Durante o projeto, foram cadastrados 52 sambaquis na área de pesquisa. O relatório final indicou que para os próximos anos, deve ocorrer um projeto temático de maior porte e abrangência, que se espera instalar nesta mesma área de pesquisa. Pretende congregar em campo todos os pesquisadores que dele deverão participar, de modo a construir um programa de pesquisas que tenha bastante consistência e coesão entre as disciplinas inter-relacionadas, numa abordagem verdadeiramente interdisciplinar. (Fonte: De Blasis,, 2004)




O MÚNICIPIO DE LAGUNA E OS SAMBAQUIS



Laguna na História


Em meados do século XVII, portugueses e espanhóis construíam seus limites nas terras conquistadas no então mundo novo, a América, através do Tratado de Tordesilhas. Nessa época, com interesses de se aproximar do extremo sul da América e defender suas terras contra invasões espanholas, a coroa portuguesa funda em 1676, a terceira vila mais antiga de Santa Catarina, Santo Antônio dos Anjos da Laguna. O território lagunense ocupava todo o sul do Estado e servia como ponto de apoio dos portugueses, sendo inclusive, a única vila a se desenvolver no Estado, a frente de São Francisco do Sul e Desterro (atual Florianópolis). Na época, Laguna foi definida como último porto meridional seguro, que apresentava garantia de abrigo à navegação costeira. Os lagunenses foram os desbravadores que se deslocaram para o sul do Brasil e deram início à formação do estado vizinho, Rio Grande do Sul. Dentre todos os povoamentos seiscentistas do litoral catarinense, o mais identificado com a animação expansionista rumo ao sul que o impulsionava, foi o de Laguna ( Taunay, 1961).

Com o passar do tempo, Laguna torna-se palco de importantes eventos da História do Brasil, como a Guerra dos Farrapos e a fundação da República Juliana. A cidade guarda em suas ruas estreitas e em seus casarios, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, as lembranças de um passado de lutas e coragem.

A terra onde Anita Garibaldi, a heroína dos dois mundos, que lutou em seu país e na Itália em busca da liberdade e melhores condições para todos, também possui um passado pré-histórico muito rico. A cidade tem registros arqueológicos de pescadores-coletores-caçadores (PCC ) que viviam na região aproximadamente por volta de 3.000 a 4.550 a.C. Tal sociedade possui a denominação de Sambaqui, como já abordei no capítulo anterior.

Os fatores econômicos, a velocidade do desenvolvimento em busca de um “bem estar coletivo”, acabou destruindo grande parte desse nosso patrimônio arqueológico, que possui fundamental importância para nosso desenvolvimento cultural.

O município de Laguna possui hoje 353 quilômetros quadrados e cerca de 50 mil habitantes, dentre os quais, grande parte não conhece ou se conhece, não possui um entendimento para uma construção cultural necessária a preservação dos sambaquis. É visível a falta de interpretação arqueológica dos moradores de Laguna, inclusive, a classe estudantil. Quando um aluno determina que um Sambaqui é apenas um amontoado de conchas, ele está imediatamente, sem intenção, destruindo todo um complexo cultural de uma sociedade.