por Rodrigo Bento
“Atenção Laguna, atenção Laguna, no ar a Radio Garibaldi, a mais popular emissora da cidade”. Eram 22:50hs do dia 19 de agosto de 1959, uma quarta-feira, quando João Manuel Vicente anunciou a cidade o surgimento daquela que durante cinqüenta anos faz parte do seu cotidiano. Alegrias e emoções. A importância da Radio Garibaldi para Laguna foi muito intensa, além de fazer parte da historia de grandes locutores e sonoplastas do sul de Santa Catarina, uma gama de personalidades ligadas a comunicação nasceram ou criaram um vínculo nesta emissora.
A idéia inicial de se criar uma nova emissora em Laguna, partiu de uma conversa entre o então deputado Estadual Dr. Valmor de Oliveira e o jovem João Manuel Vicente, que na época era casado com a sobrinha do deputado.
O deputado Valmor de Oliveira estava apreensivo em relação a sua candidatura ao segundo mandato na Assembléia Legislativa, segundo ele, seria muito difícil se reeleger, ele precisaria de um fato novo, que destacasse o seu nome. João Manuel Vicente então sugeriu que ele fundasse uma nova emissora.
Você está maluco, a cidade não tem comércio para uma emissora, imagina duas. Exclamou o Deputado.
João Manuel Vicente sabia da importância de se ter uma rádio para um político. Não existia a grande quantidade de meios de comunicação. A televisão ainda estava engatinhando no Brasil e para chegar em Laguna, iria demorar mais alguns anos. Os jornais eram poucos os que chegavam aqui, nem todos tinham acesso.
Acrescentando a esses fatores, a Radio Difusora, até então a única emissora da cidade, estava diretamente vinculada ao PSD e o deputado Valmor de Oliveira era do PTB. Quando o pleito eleitoral fervilhava na cidade, a Radio Difusora possuía seu candidato direto, o saudoso Armando Calil Bullos, um dos raros lagunenses que ocupou quase todos os cargos políticos do nosso estado quando o assunto é Legislativo. A emissora voltava toda a sua programação para o deputado Armando Calil Bullos. Mesmo porque na década de 50 e 60, a legislação eleitoral no Brasil não tinha criado ainda mecanismos para orientar e coibir a campanha no radio. Era comum então, uma emissora de radio fazer campanha exclusiva para o seu candidato. A radio abria de manhã cedo e se quisesse falar da campanha durante todo o dia, falava. Defendendo apenas o seu candidato e criticando os outros.
Em Laguna não existia outra formadora de opinião, apenas a Radio Difusora. Com essa justificativa, João Manuel Vicente conseguiu incentivar Valmor de Oliveira a criar uma nova emissora na cidade.
O deputado levou para a frente a idéia, porém, queria a garantia de que se fundasse a emissora, João Vicente deveria assumir a responsabilidade por sua manutenção. João aceitou e aos 28 anos de idade, assume o compromisso de ser o responsável direto pela aquela seria conhecida mais tarde, como uma das principais emissoras da região sul do estado.
Os primeiros equipamentos e a instalação da emissora
Coube ao deputado Valmor de Oliveira, levantar fundos para a instalação da nova emissora. Para tanto a Assembléia Legislativa contratou João Vicente para apresentar o programa o Legislativo em Ação em uma das emissoras do sul do estado. O programa visava divulgar os trabalhos realizados na Assembléia para os catarinenses. O contrato não firmava qual deveria ser a emissora, com isso, torna-se mais fácil e legal perante a lei, a utilização dessa verba para a criação de uma nova radio. A nova emissora depois que foi ao ar, cumpriu com suas obrigações contratuais.
Valmor de Oliveira comprou os equipamentos iniciais da futura rádio, um transmissor e uma mesa de som da Radio Mirador, do município de Caçador. Os equipamentos eram usados e foi preciso um reparo técnico. Com equipamentos nas mãos, faltava agora, o material humano.
Carlos Horn, é o homem no qual Walmor de Oliveira contrata para montar a parte técnica da emissora em conjunto com Antonio dos Santos. Carlos Horn, era técnico que trabalhava com transmissores no sul do estado. Tinha funções permanentes em algumas emissoras da nossa região, como a Radio Tuba, de Tubarão e a própria Radio Difusora de Laguna, no qual possuía um grande vínculo. Já Antonio dos Santos auxiliava Carlos Horn na parte técnica. O mesmo possuía um serviço de alto-falantes na antiga rodoviária municipal, localizada na rua Gustavo Richard. Além de possuir uma vasta agenda de festas na qual realizava no interior da cidade.
O primeiro local onde o transmissor, a torre da Radio Garibaldi fixou-se, foi no Bairro Campo de Fora, nas proximidades da estação da rede ferroviária, onde hoje se encontra a secretaria de obras do município. O local escolhido foi bem próximo ao desvio da linha ferroviária, o terreno era de propriedade de Julio Oliveira, vindo ser irmão do deputado Valmor de Oliveira, proprietário da nova emissora. Faltava apenas definir onde seria o estúdio que deveria ser estrategicamente na área central da cidade e possuir um espaço amplo para os anseios da nova empresa. O local escolhido foi o piso superior da antiga farmácia Sebolt, na rua Raulino Horn.
A história do nome e os seus primeiros personagens.
Na década de 50, a historia da personagem Anita Garibaldi já fazia parte do cotidiano da vida do lagunense. A valorização da guerreira já estava em todos os cantos.
Segundo João Vicente, no dia em que a emissora iria ao ar, Carlos Horn perguntou ao Dr. Valmor de Oliveira, qual deveria ser o nome da rádio. Antonio dos Santos sugeriu:
Anita Garibaldi.
Imediatamente, Valmor de Oliveira com seu jeito sincero respondeu;
Não! Chega de Anita, a cidade já tem muita homenagem a Anita, coloca só Garibaldi, só Garibaldi é melhor.
Assim a surgiu a denominação da Radio Garibaldi Ltda., por sugestão própria do fundador Dr. Valmor de Oliveira.
Montada a Radio, dava-se início na parte principal da emissora: o material humano. O objetivo do diretor geral da Radio Garibaldi em seu inicio era popularizar, fazer com que o radio também fosse do povão. Essa justificativa é devido ao fato de as emissoras na época terem um estilo clássico, um pouco elitizado. A Radio Garibaldi veio para tocar samba, veio para escutar a opinião do público, do povão, declara João Vicente.
A primeira equipe da Radio Garibaldi foi composta por João Vicente, Evilázio Silveira, João Carlos Silveira, Atanázio Silveira e a partir daí, uma grande seleção de personalidades da comunicação da nossa região.
A emissora teve a honra de contar com inúmeros personagens. Foram tantas as pessoas em diferentes funções, que seria impossível destaca-los nesta pagina, o que também poderíamos cometer erros, se esquecêssemos de alguém. Mas torna-se difícil falar da Radio Garibaldi sem destacar: Luiz Carlos Ambrosini, Luiz Paulo Carneiro, Álvaro de Oliveira, Rafael Tasso, João Carlos Pagani de Oliveira, Jorge Miranda, Walmor Silva, Celso Brum, Paulo Sérgio Silva, Paulo Roberto Cereja, e tantos outros.
Hoje a frente da emissora há mais de 3 décadas, o engenheiro Jacopo Teixeira Tasso. Para muitos, depois de João Vicente, o conhecido Dr. Tasso, é considerado um dos maiores incentivadores da comunicação em nossa cidade. Afinal, ele é o responsável direto pela evolução que a emissora teve que, em conjunto com a gerente Roselane, mudaram o conceito de radio AM no sul do estado, tornando-a uma emissora também disponível no mundo digital.
A programação:
A idéia original da emissora ainda permanece nos dias de hoje, com uma programação total mente popular, ela possui uma singularidade pouco vista em outras rádios: a diferença. Vários são os estilos de programa: Jornalismo identificado com a realidade da nossa região, esporte, cultura, educação e muitas musicas em diferentes estilos. Passados 50 anos, Os locutores ainda mantém a Radio Garibaldi como uma das fortes emissoras do sul de Santa Catarina.
Durante nossa caminhada, durante nossa vida, aprendemos que é impossível viver sozinho, seja na construção da sua família, ou ate mesmo no local do seu trabalho, quantas amizades fortes e verdadeiras você faz, você consegue e conquista. Na radio Garibaldi não é diferente, se a emissora, mesmo que fosse em um pequeno instante possuísse vida, quantos amigos ela iria abraçar, quantos vezes ela iria dizer muito obrigado ou então entra a casa é sua. Não eu estou errado, a radio Garibaldi possui vida, sim, só ela consegue emociona-lo através de uma musica ou informação. Ela consegue fazer você sorrir, chorar, as vezes faz com que você expresse suas opiniões e discuta o que é certo ou errado. Obrigado e Parabéns Radio Garibaldi, a verdadeira radio da cidade.