A República em Laguna conta a história da revolução Juliana no Brasil e ganha vida com o espetáculo encenado na região, onde tudo aconteceu. O espetáculo está confirmado e será encenado dias 25, 26, 27 e 28 de novembro.
Na terça-feira, dia 23, tem marcação de cena com os atores e na quarta-feira, ensaio geral.
A arena está sendo concluída no pátio do porto de Laguna, nos Molhes da Barra. A entrada ao evento será pela avenida São Joaquim, no Mar Grosso.
Adriana Birolli, irá interpretar Anita e Henri Castelli, o revolucionário Garibaldi.
Fiel à história, o diretor Jairo Barcelos, inspirado no livro de Wolfgang Ludwig Rau, ficou três dias encenando e filmando com os dois atores, as fases da história do casal, que deverão ser apresentadas durante o espetáculo.
“Garra e bravura, necessárias para interpretar os protagonistas, foram demonstradas pelo jovem casal” explicou.
Sobre isso, a atriz Adriana Birolli brincou com o público presente confessando que estava exausta. “A heroína lutou muito. Andou a cavalo, correu, remou e segurou em armas”.
Os efeitos especiais foram elaborados pela equipe do profissional Sérgio Farjala, que já trabalhou nos filmes Os Mercenários e Tropa de Elite 2.
Henri Castelli lembrou a importância deste tipo de espetáculo, pois narra uma parte da história do Brasil e torna uma aula ao ar livre.
“Nas novelas dificilmente temos este tipo de experiência”, contou.
Os livros, a história da cidade e as conversas com o diretor foram as inspirações para o casal de atores.
O momento da fuga de Anita, depois de doze dias após ter dado à luz a um filho, marcou muito a atriz. “ Foi uma das cenas mais emocionantes que interpretei. Ela fugiu no lombo de um cavalo, com o filho recém-nascido numa das mãos”, disse Birolli em relação ao momento em que a heroína foge dos soldados, obedecendo ordens do império para prender o casal revolucionário.
Pela primeira vez, o espetáculo A República em Laguna, será encenado nas proximidades do local onde as lutas e batalhas navais entre farroupilhas e republicanos aconteceram.
O frio não será mais empecilho para o público comparecer nos dias do espetáculo. A arena dessa vez será nas margens do canal da Barra, onde os navios conseguiam avançar pela lagoa Santo Antônio dos Anjos.
O casal realizou gravações durante três dias na cidade, em outubro, e retornam em novembro.
Na bagagem muita história e o roteiro do espetáculo, que chega a reunir numa só noite mais de três mil pessoas.
A história
A Guerra dos Farrapos aconteceu após Porto Alegre ser dominada, em 1835, por Bento Gonçalves. No ano imediatamente posterior, os insurgentes declararam pública e solenemente constituída a República Rio-Grandense, cuja capital instalou-se na vila de Piratini.
Não demorou muito para que esta revolta se estendesse pelo sul do país, chegando até Santa Catarina, local em que foi aclamada a República Juliana, a qual contou com a ajuda de Davi Canabarro, por terra, e Giuseppe Garibaldi – líder revolucionário naturalizado italiano –, por mar, transformando sua participação no movimento em um feito heróico para a história catarinense.
Várias medidas foram tomadas, entre elas a convocação de eleições, da qual saiu vitorioso o coronel Joaquim Xavier Neves.
Tal vitória não foi aceita pelos agitadores gaúchos, que acabaram por nomear para seu lugar o Padre Vicente Ferreira dos Santos Cordeiro, então derrotado nas eleições.
Eles escolheram Laguna como Capital interina da República Juliana, estabeleceram as cores verde, amarela e branca como oficiais, e extinguiram os impostos que eram cobrados pelo comércio do gado e da indústria campestre.
O governo imperial revidou escolhendo o marechal Francisco José de Sousa Andréas como presidente de Santa Catarina, homem de família ilustre e promissora carreira militar. Governou de 1839 a 1840.
A República Juliana foi considerada um braço da Revolução Farroupilha e ficou conhecida historicamente como um estado que pertenceu à Santa Catarina, oficializou-se a 24 de julho de 1839 – advindo daí o nome “Juliana” – e findou-se em 15 de novembro de 1839, durante um ataque violento a Laguna, durante o qual os seus inimigos fizeram uso não só da marinha como também da cavalaria e da infantaria para derrotá-los.
O resultado foi o total aniquilamento da esquadra farroupilha, a reconquista de Laguna e a matança de todos os chefes da marinha rio-grandense, com exceção de Garibaldi e Davi Canabarro, que conseguiram fugir.
Garibaldi veio para o Brasil com o único objetivo de contribuir na luta dos farrapos, conheceu Anita Garibaldi, com quem se casou, e ganhou uma ferrenha companheira de luta contra o império, sendo ambos venerados como heróis catarinenses até os dias de hoje
O espetáculo
A arena terá 10 mil metros quadrados. Com 503 atores, entre figurantes, elenco de apoio, coadjuvantes e protagonistas, o teatro ao ar livre, conta ainda com efeitos especiais, show piromusical para a entrada das esculturas de Giuseppe e Anita Garibaldi, idealizadas e confeccionadas por Karu Carvalho, um escultor de Parintins, no Amazonas.
A parte musical fica por conta de Terezinha Flor, Neusa Preuss, Cristiane Anselmo, Rogério Perito, Leoberto Bitencourt Jr. e Jean Pierri.
Algumas mudanças estão previstas, não só para os bruxos que agora voltam ao formato original em numero de três, (uma bruxa e dois bruxos), representando as lendas e crendices da velha Laguna, como também em algumas partes do texto e em cenas gravadas para projeção em telão.
A narrativa antes feita por um velho senhor, o Vô José, agora será realizada por vários outros atores em cena. "São mudanças na apresentação do espetáculo no sentido de torná-lo mais interessante e enxuto", ressalta o autor do texto, Jairo Barcelos.
O espetáculo “A República em Laguna”, foi baseado na peça escrita por Jairo, em 1986, intitulada, “De Aninha a Anita”, tendo como referência bibliográfica a obra do escritor Wolfgang Ludwig Rau, “Anita Garibaldi - O Perfil de Uma Heroína”.
O cenário
A cenografia é composta por seis edificações de época, em tamanho real, - a casa de Anita, a igreja, armazém de Secos e Molhados, casa do sapateiro, casa de Câmara e Cadeia, casa das futriqueiras, uma fonte, duas montanhas cenográficas, paisagismo, além de figurinos elaborados para remeter ao momento em que tudo acontece, a partir de 1835.
O espetáculo contará com 3.500 mil lugares distribuídos em arquibancadas e camarotes, além de contar com estacionamento para veículos de passeio e ônibus, tendo sua entrada principal pela rua São Joaquim (rua que leva aos Molhes de Laguna, no Mar Grosso), sempre com início às 21h.
Os preços:
Particular (antecipado) R$16,00 e na bilheteria R$ 21,00.
Estudantes e idosos com comprovação R$11,00.
Camarote individual : R$ 100.00
Camarote pacote p/20 pessoas : R$ 1.500,00
A Produção:
Realização : Instituto Tática e Ação
Apoio: Lei de Incentivo a Cultura - Ministério da Cultura , Prefeitura Municipal de Laguna, Fundação Lagunense de Cultura, Secretaria de Turismo e Lazer, Laguna Tourist Hotel.
Patrocínio: Tractebel Energia, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul - BRDE, Funturismo - Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, Governo do Estado de Santa Catarina, Casan e Celesc.
Produção e direção: Grupo Teatral Terra
Informações:
Pelo telefone (48) 3644 6193
Site: www.republicaemlaguna.com.br